
O que uma pessoa fazia e o que acontece agora, na ordem em que acontece.
A conferência deixou de ser sobre todos os requerimentos e passou a ser sobre os duvidosos. O volume de trabalho humano caiu; o critério de quando ele entra ficou explícito.
Volume, pessoas envolvidas e o que estava em jogo.
Requerimentos de exame chegam manuscritos, sem padrão de formulário, de médicos de toda a rede credenciada. Cada procedimento precisa ser identificado e cadastrado com o código TUSS correspondente — a tabela oficial tem 5.963 códigos, muitos com nomes quase idênticos e abreviações que variam por especialidade e por médico. O trabalho era feito um por um, à mão.
Compliance, legado, auditoria e prazo.
Código TUSS errado é glosa. O custo de um erro não é retrabalho: é faturamento negado.
O sistema precisava se integrar ao MedCode, o sistema de registro da operadora, sem alterar o fluxo de quem já trabalhava nele.
O sistema e por que essas escolhas.
Pipeline em duas etapas, com separação rígida de responsabilidade:
O modelo lê o requerimento manuscrito e devolve o nome do procedimento, expandindo abreviação médica. O modelo não devolve código.
Um matcher de 8 níveis de priorização cruza o nome extraído com a tabela oficial. Sustentam o cruzamento: 753 aliases, 41 conjuntos de equivalência e 27 correções manuais, construídos junto com a operadora a partir do vocabulário real da rede.
Server-to-server com o MedCode, com saída alternativa em CSV. Dois provedores de leitura intercambiáveis, com o mesmo formato de saída.
O matcher cicla contra a tabela oficial e, fechado o lote, entrega para conferência humana antes do cadastro.
O que acontece quando o sistema não tem certeza.
Cada procedimento recebe um score de 0 a 100 e um nível de confiança de P1 a P8. Abaixo do corte configurado, o item não recebe palpite: vira linha "N/A" para conferência. Código extraído que não confere com a tabela oficial é marcado como inválido e encaminhado para revisão.
Um erro real, e o que fizemos com ele.
Durante o desenvolvimento, um dos motores de leitura devolveu 20 procedimentos com código TUSS a partir de um PDF que não continha nenhum código de 8 dígitos na página. O modelo tinha produzido os números a partir da própria memória.
A arquitetura mudou: o modelo passou a ser proibido de emitir código. Todo código passa a vir do cruzamento com a tabela oficial, e todo código extraído que não confere é marcado como inválido.
Publicamos este episódio porque ele é a diferença entre um sistema que foi para produção e uma demonstração que impressionou numa reunião.
Antes e depois, com a amostra declarada.
de redução no tempo de processamento
de redução no custo operacional
de recuperação do procedimento por nome
O ponto definido em que a decisão é de uma pessoa.
Todo item abaixo do corte de confiança e todo código marcado como inválido passam por conferência antes do cadastro. O sistema reduz o volume de conferência; não elimina a conferência.
Método, não sorte.
Toda conversa começa por um diagnóstico do processo, não por uma proposta de ferramenta. Se o melhor caminho for o mais simples, é isso que vamos dizer.